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Espiritismo… Vamos aos fatos! Sábado, 17, Maio, 2008

Posted by nciblog in Espiritismo.
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Ricardo B. Marques [1] 

 

 

 

1. O que chamamos de “Espiritismo”?

 

 

1.1.Toda iniciativa, formal ou não, coletiva ou individual, hoje e em qualquer época, que creia em e/ou pratique a consulta aos “mortos”. As demais crenças e práticas consideradas espíritas são derivadas, direta ou indiretamente, desta definição.

 

1.2. Nessa perspectiva, são considerados movimentos, práticas ou “linhas” espíritas:

 

 

Linhas

Origem

Kardecismo

(mesa-branca ou “alto” espiritismo)

 

Francesa, com outras influências

Ocultismo/Esoterismo

(Gnosticismo, Rosa Cruz, Magia, Teosofia, LBV etc.)

 

Várias, mas a maioria com forte influência do orientalismo

Candomblé/Umbanda, Quimbanda etc.

(“baixo” espiritismo)

 

Africana, com sincretismo [2] católico e indígena

Pajelança (xamanismo; rituais indígenas)

 

Indígena, em todas as Américas

“Consultas” espirituais, quiromancia, cartomancia,

Paganismo antigo, bruxaria européia, sincretismo com outras linhas

Outras

 

 

 

 

2. Breve histórico do Espiritismo

 

2.1. A consulta aos “mortos” já era prática comum entre grande parte das culturas pagãs, desde os tempos antigos. A própria Bíblia revela isso. Por exemplo, em Deuteronômio cap. 18 Deus afirma que os habitantes de Canaã, antes de Israel chegar à terra, praticavam a consulta aos “mortos”, e o próprio Deus alerta que isso é “abominação”. Em 1º Samuel 28 lemos sobre o rei Saul indo à tenda de uma médium para tentar falar com o falecido profeta Samuel – o rei acaba sendo enganado pela “médium” e pela “entidade” que se  aproveita da situação e se faz passar por Samuel. Saul é repreendido severamente por Deus, e a profecia do falso espírito de Samuel acaba não se cumprindo como ele previra, comprovando não ter sido um contato genuíno com o profeta.

 

Pintura retratando o encontro entre o rei Saul e a entidade que se fez passar pelo profeta Samuel, mediado pela “médium” de Endor. O quadro retrata erroneamente a situação, uma vez que Saul nada viu, pois somente a “médium” supostamente via e intermediava o diálogo com a “entidade”. A passagem bíblica demonstra que a “médium” não disse que o “espírito” era Samuel, mas sim que era “um homem ancião, envolto numa capa”; então, é dito que Saul “entendeu que era Samuel”, ou seja, foi um ato de pura extrapolação por parte do ansioso Saul… A partir daí, estava montado o cenário para o engodo. As profecias proferidas pela entidade não se cumpriram à risca, e na Bíblia o não-cumprimento de uma profecia com exatidão é prova de que não veio de Deus, mas das trevas, do enganador. Por isso Saul foi severamente repreendido pela consulta que fez à “médium”, prática que Deus afirmou ser uma abominação.

 

2.2. A consulta aos “mortos” estava sempre associada à feitiçaria e a práticas consideradas “adivinhatórias”, típicas das culturas pagãs e que hoje têm voltado a popularizar-se. Exemplos: necromancia, astrologia, encantamentos, cartomancia, quiromancia, interpretação de sonhos etc.

 

2.3. Tais práticas – incluindo a consulta aos mortos – ocorriam, no entanto, de forma geralmente individual, espontânea e não-organizada. Relatos bíblicos sobre o cotidiano das culturas e civilizações nos tempos do Antigo Testamento, a exemplo da Babilônia, Pérsia, Assíria e tantas outras, revelam que alguns adivinhos trabalhavam para os reis, praticando principalmente a consulta aos “mortos” e aos astros, a interpretação de sonhos, a feitiçaria e outras, em grande parte dos casos com a intenção de prever o futuro. Entretanto, havia uma maioria de “médiuns” que oferecia seus serviços ao povo, em tendas montadas nas ruas ou fora das cidades, incluindo também a feitiçaria, encantamentos etc.

 

2.4. Essa forma de espiritismo mudou muito pouco até o século XIX. A partir dessa época o Ocidente, colonizado por cristãos protestantes ou católicos, ainda presos a concepções religiosas inquisidoras e não-bíblicas, em vez de se dedicarem mais à pregação do evangelho, ao amor ao próximo e à denúncia do pecado, preferiam ocupar-se em perseguir e punir duramente os que praticavam a feitiçaria (na qual se incluía a consulta aos “mortos”). Por fugir disso, sempre houve muitos que realizavam suas práticas espíritas secretamente. No século passado (XX), entretanto, o Ocidente já vivia um cristianismo mais secularizado e apenas nominal, e junto a esse fato houve uma redução da postura inquisidora de muitos religiosos. Assim, a consulta aos “mortos”, bem como outras práticas místicas pagãs, sentiram-se livres para retomarem sua influência. E, por despertarem a curiosidade, acabaram tornando-se uma espécie de “mania”. A consulta aos “mortos” seria a locomotiva desse trem que logo se tornaria uma “febre”.

 

2.5. Um evento considerado marcante como impulsionador dessa nova “mania” foi o das irmãs Fox, nos Estados Unidos. Em 1848, ainda crianças, dizendo ouvirem sons (pancadas no assoalho de madeira) na casa em que moravam, tentaram descobrir do que se tratava e perceberam que os sons respondiam a pancadas ou estalar de dedos produzidos por elas. Assim criaram um código, através do qual disseram poder comunicar-se com o espírito de um morto que habitara a casa. A história se espalhou pelas Américas e pela Europa, e logo todos estavam tentando um contato com algum “espírito”.

 

Casa da família Fox, imigrantes alemães, situada em Hydesville, Nova Iorque (EUA), onde as três irmãs fizeram a população local acreditar que o espírito de um morto se comunicava com elas através de um código de estalidos e batidas na madeira.

 

 

2.6. Diversas iniciativas para se estudar os “fenômenos espirituais” logo apareceram. Na Inglaterra, um grupo de intelectuais, entre eles o famoso escritor Arthur Conan Doyle, passou a questionar publicamente tanto a posição bíblica quanto a postura oficial da Igreja sobre o assunto. Doyle achava que a consulta aos “mortos” era algo possível e aceitável.

 

 

Arthur Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes e expoente da “linha inglesa” do espiritismo, que se opunha ao espiritismo francês de Allan Kardec. Doyle considerava a reencarnação uma doutrina espúria e injusta, adaptada por Kardec a partir do hinduísmo e budismo, para dar artificialmente, às pessoas, explicações de aparência lógica para o sofrimento e o mal.

 

2.7. Paralelamente, na década de 1850, surgiu nesse cenário um francês chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em 1804, filho de advogado e maçon do grau 33. Ems endo maçon de alto grau, fica claro que aquele homem era um iniciado em assuntos esotéricos (filosofia oriental associada com gnosticismo, teosofia e ocultismo). Um dos principais feitos de Hippolyte Léon foi construir uma mistura da crença grega sobre “transmigração da alma” e do dogma hindu-budista da “lei do karma”, resolvendo adaptar a idéia para a visão racional e “cristianizada” do homem ocidental e assim criar uma nova doutrina da reencarnação, dizendo que a mesma lhe foi ensinada por “espíritos de luz”.

 

Allan Kardec, o criador da “linha francesa” do espiritismo, que, adaptando crenças orientais à cultura ocidental pseudo-cristianizada, passou a incluir a reencarnação na crença espírita e foi fortemente combatido pela “linha inglesa”.

 

2.8. Autodenominando-se a reencarnação de um poeta celta, Hippolyte Léon adotou o pseudônimo de Allan Kardec. Dizendo-se escolhido pelo plano espiritual para divulgar uma nova mensagem para a humanidade, e afirmando ser orientado pelos “espíritos” que falavam com ele, Kardec passou a escrever obras que se propunham a explicar os detalhes sobre os mistérios da vida e da morte, da origem e destino do espírito humano. E, é claro, incluiu sua crença na reencarnação, devidamente adaptada aos moldes ocidentais.

 

2.9. Em 1857 Kardec publica seu primeiro livro, O Livro dos Espíritos. Este foi seguido pelo Livro dos Médiuns, pelo Evangelho Segundo o Espiritismo e muitos outros. Bastante inteligente, culto e versátil, Allan Kardec, através de suas obras supostamente “ditadas pelos espíritos”, conseguiu transformar o espiritismo desorganizado numa filosofia religiosa organizada e com um complexo corpo doutrinário. Com isso contribuiu mais do que qualquer outro para que a sua interpretação pessoal dos chamados “fenômenos espirituais” se tornasse a mais aceita, o que ficou conhecido na época por espiritismo francês ou kardecismo.

 

2.10. Naqueles anos houve embates ferozes entre o espiritismo inglês, de Conan Doyle, e o francês, de Kardec. Os ingleses criam na sobrevivência do espírito e na possibilidade de se falar com os mortos, mas recusavam-se a crer na reencarnação: “é uma doutrina absurda e injusta”, dizia Doyle. “Como posso acreditar que pagamos nesta vida por algo ruim que fizemos em outra, quando nem mesmo nos lembramos ou compreendemos o que fizemos?”, argumentavam os ingleses. Mas a linha francesa foi vitoriosa, espalhando-se no mundo com mais eficiência, graças às dezenas de livros muito bem escritos de Allan Kardec. Foi dessa maneira que este passou a ser considerado o “codificador do espiritismo”.

 

2.11. Em 1875 entra no cenário mundial a russa naturalizada americana Helena Petrovna Blavatsky. Considerada “médium” desde a infância, Helena afirma receber mensagens secretas de “espíritos iluminados” pertencentes à “Fraternidade Branca”, uma espécie de “comitê espiritual” encarregado de dirigir os rumos da humanidade. Sob forte influência do gnosticismo e do orientalismo, naquela ano ela funda a Sociedade Teosófica, uma entidade que até hoje se propõe a propagar “um outro nível de verdades espirituais” no mundo. Diferentemente de Kardec, Madame Blavatsky, como era conhecida, elaborou doutrinas nada agradáveis para os cristãos, mesmo para os menos informados. Autora de uma obra quase tão vasta quanto a do espírita francês, ao contrário deste ela começou dizendo que o cristianismo era uma “desgraça que se abatera sobre a Terra”, que era responsável pelos anos negros que vivemos e que precisava ser eliminado, a fim de que uma nova era de paz, liberdade e prosperidade se instalasse no planeta. Seus ensinos foram fortemente influenciados pelos do orientalismo e do gnosticismo, de onde “pescou” uma grande parte das crenças, lendas e ensinamentos e adaptou-os a conceitos espíritas, alguns próprios, outros de Kardec etc., segundo a conveniência de suas interpretações pessoais e aplicando o tempero de sua imaginação extremamente fértil. Tornou-se a “mãe do esoterismo moderno”, influenciando o surgimento de diversas linhas esotéricas e organizações correlatas, dentre elas quase todas as sociedades secretas místicas, como as diversas ordens rosacruzes (curiosamente concorrentes entre si) e as maçonarias (idem), dentre outras, sendo que todas estas têm por hábito criar histórias antigas para suas origens, na tentatuva de legitimarem suas fábulas e doutrinas. Inclua-se aí as organizações gnósticas atuais, que se afirmam as legítimas representantes do “conhecimento oculto”. A literatura de madame Blavatsky (A Doutrina Secreta em vários volumes, Véu de Ísis e outras), baseada em histórias “perdidas”, ensinos “secretos” e mistérios fabulosos de supostas civilizações muito antigas e altamente desenvolvidas, revelados pelos “espíritos de luz” com quem ela dizia comunicar-se, é cultuada entre rosacruzes, maçons, magos, gnósticos e todos os tipos de esoteristas, no mundo inteiro.

 

 

 

Helena Petrovna Blavatsky, criadora da Teosofia e considerada matriarca do esoterismo. A Teosofia é uma ideologia sincrética que reúne miscelâneas de fragmentos de crenças orientais com misticismos diversos, associados à criação de mitos sobre evoluídas civilizações muito antigas que dominaram a Terra no passado. A doutrina de Blavastky, que se constitui no alicerce do esoterismo dos séculos XX e XXI, e é a precursora do movimento Nova Era, baseia-se em supostos “ensinos secretos” provenientes desse passado remoto, mantidos por “sociedades secretas”. Considerava o cristianismo uma “desgraça”, pois era a única concepção cósmica existente com a qual sua doutrina era incompatível – portanto, uma “pedra no sapato” de Blavatsky. Por isso, ela pregava a extinção do cristianismo.

 

 

 

 

 

2.12. Contudo, o espiritismo que mais se popularizou no mundo ocidental foi o kardecismo (ou espiritismo de “mesa branca”, como às vezes é chamado no Brasil). Sua popularidade se deve a diversos fatores, como:

 

 

 

 

·     o fato de se dizer “cristão”;

·     de usar alguns textos da Bíblia;

·     de falar em nome de Deus e chamar Jesus de Mestre dos mestres;

·     de afirmar ser uma “filosofia”, e não uma religião;

·     de dizer-se “neutro” e ser aberto a pessoas de todas as religiões;

·     de apresentar-se como uma “ciência”, baseado na observação e em “evidências”;

·     de dar forte ênfase na prática da caridade;

·     de prometer que os entes queridos que morrem podem falar conosco e nós com eles, trocar mensagens e ajudarem-se mutuamente;

·     de oferecer o conforto de não crer numa condenação eterna e que todos um dia chegarão ao reino dos céus;

·     etc.

 

2.13. Em 1888 uma das três irmãs Fox (Margareth Fox) declarou que toda a sua história não passara de uma fraude. Segundo as próprias palavras dela, tudo havia começado apenas como uma brincadeira para assustar a mãe e que, como a coisa recebeu mais crédito do que esperavam, resolveram tirar partido da situação, e assim o fizeram por quase 40 anos. Como muitos duvidaram de seu depoimento, Margareth e outra irmã (uma já havia morrido, alcoólatra e em desgraça) reuniram uma grande platéia num auditório e demonstraram que as “pancadas na madeira”, que eram tidas como as respostas do morto com quem elas diziam se comunicar, na verdade eram estalidos provocados por elas mesmas, com as juntas dos dedos dos pés. Médicos presentes examinaram as irmãs enquanto estas provocavam os estalidos e confirmaram que era uma técnica curiosa que elas desenvolveram ainda crianças: o osso do dedo batia no assoalho ou num banco de madeira e produzia um som audível até o outro lado do auditório. Infelizmente o espiritismo já havia se espalhado como uma febre pelo mundo, de maneira que, mesmo com o depoimento das irmãs, a movimentação não se reverteu.

 

 

 

As três irmãs Fox, consideradas responsáveis por desencadear a “mania” de consulta aos mortos que se espalhou pelos EUA e pela Europa, no final do século XIX e começo do XX. Após a fama inicial, as três caíram em desgraça, uma delas morrendo. Certas de que seus problemas eram conseqüência de sua “brincadeira”, as duas sobreviventes confessaram publicamente que toda a história do contato com o “espírito” fora uma fraude. Para provar, convidaram quem quisesse ir a um auditório, onde as duas demonstraram como faziam os estalidos na madeira, atribuídos ao “espírito”, usando um movimento com o dedão do pé, habilidade incomum que elas desenvolveram quando crianças. Entretanto, a essa altura os anjos caídos que se fazem passar por “espíritos de mortos” já haviam se aproveitado da situação e, independentemente da brincadeira das meninas, espalharam a febre dos fenômenos sobrenaturais mundo afora. Ninguém mais estava disposto a raciocinar sobre a origem fraudulenta do espiritismo, e nem em tentar saber como, ou por que, a prática se espalhara tão estranhamente.

 

 

 

 

 

2.14. Apenas mais recentemente, nos últimos 30 anos, é que o espiritismo kardecista vem perdendo terreno para outras “linhas”. O ressurgimento do paganismo se deu principalmente através da influência oriental trazida por alguns famintos gurus indianos e budistas que migraram para o ocidente nos anos 60 e aqui construíram seus impérios financeiros. O orientalismo abriu as portas para o esoterismo, bem como para o retorno dos adivinhos, astrólogos, cartomantes, quiromantes e, até, para a tão ex-má afamada bruxaria. Movimentos musicais e de apoio à cultura negra, mesmo os bem-intencionados, confundiram a respeitável cultura dos ancestrais africanos com ritualismo religioso africano, sem se darem conta de que são coisas diferentes. Assim, equivocadamente popularizaram e fortaleceram os terreiros de umbanda, macumba e afins, bem como seus “pais e mães de santo”. Outrora restrito a pessoas tidas por supersticiosas e ignorantes, o espiritismo “afro” virou uma “coqueluche” também entre a alta sociedade, dita “culta e esclarecida”. Hoje é considerado “patrimônio cultural” oficial do país, com terreiros e rituais mantidos com o dinheiro dos impostos do povo, e protegido contra qualquer cidadão, organização, literatura ou seja o que for que seus adeptos considerem inconveniente aos seus propósitos e ideologia.
 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Batismo de sangue nas religiões afro-brasileiras. Estas religiões são sincréticas, isto é, foram “inventadas” a partir da junção adaptada de partes de outras religiões: crenças africanas misturadas a crenças ameríndias, católicas e espíritas. Ou seja, uma “verdade” fabricada. Consideram a si próprios como espíritas, porém as linhas espíritas próximas ao kardecismo rejeitam com veemência essa identidade. As crenças afro-brasileiras fundamentam-se nos orixás, entidades espirituais temidas que escravizam espiritualmente seus adoradores e seguidores, de acordo com o testemunho de muitos líderes de terreiros, pais e mães-de-santo que descobriram a verdade e se converteram a Jesus. Em certas tribos africanas os orixás são abertamente assumidos como sendo demônios, o que é confirmado pela Bíblia; porém, no sincretismo afro-brasileiro a influência católica e o risco de rejeição pela sociedade fizeram com que os líderes fossem disfarçando a imagem maléfica que originalmente está associada aos deuses dos terreiros, o que acabou criando o estado atual de coisas, em que a verdadera natureza dessas entidades só é revelada abertamente aos adeptos depois de estes estarem suficientemente entranhados nas práticas destas religiões. Até o “exu”, que mantém sua tradicional imagem diabólica, é apresentado aos curiosos e iniciantes apenas como uma entidade “amigável e brincalhona”. Mas, segundo ex-líderes de terreiros que buscaram libertação e entregaram suas vidas a Jesus, os adeptos que já estão aprofundados na religião conhecem o verdadeiro e sombrio lado dessas criaturas das trevas.

 

 

 

 

 

 

2.15. O espiritismo, que não é mais restrito à prática de consultar os “mortos”, comporta-se como um verdadeiro camaleão, pois se transforma de acordo com os traços culturais e a intelectualidade de cada um. Apresenta-se de início como uma filosofia “neutra”, aberta e compatível (?) com todos os credos, e que é essencialmente cristã e bíblica (confundem cristianismo com a prática da caridade e do amor ao próximo). Mas com o passar do tempo (variando de pessoa para pessoa, de acordo com o nível de envolvimento de cada uma), o participante é confrontado internamente, de forma a perceber que a Bíblia e a doutrina espírita são incompatíveis, sendo induzido a optar pela segunda. Testemunhos de ex-médiuns e ex-espíritas da “alta cúpula”, mas que se converteram a Jesus, confirma que, quando o praticante muito envolvido recusa fidelidade à doutrina espírita e busca esclarecimento na Bíblia, os “espíritos” que até então falavam em nome de Deus e pregavam o bem repentinamente se enfurecem e fazem todo o tipo de ameaça à pessoa e à sua família, prometendo desgraça e até morte caso não decida permanecer com eles. Isto mostra a verdadeira natureza desses “seres de luz” que se manifestam aos vivos, fazendo-se passar por espíritos de pessoas falecidas a fim de atingir certos objetivos que somente o estudo da Bíblia e a comunhão com Jesus Cristo podem revelar claramente.

 

 

 

 

Resumo da história do espiritismo

 

 

 

- A consulta aos “mortos” era uma prática comum desde as culturas antigas, como relata o Velho Testamento, e estava sempre associada à feitiçaria e práticas “adivinhatórias”, típicas do paganismo.

 

- Acontecia de maneira não-organizada. Havia “médiuns” que serviam aos reis e outros que montavam suas “tendas” na cidade para atender o povo.

 

- Durante mais de 2.000 anos pouca coisa mudou nessas práticas. A partir da Inquisição Católica Romana até o século XIX, no ocidente, a consulta aos “mortos” e outras atividades do gênero eram feitas secretamente. A partir de então, com as mudanças culturais e sociais, virou “mania” liberada.

 

- Irmãs FOX – 1848: suposto contato com “espírito” através de batidas em mesas e assoalhos – logo “todo” o mundo ocidental estava tentando a mesma coisa.

 

- Formam-se grupos de estudos dos “fenômenos espirituais”. Surge o espiritismo inglês, defendido por Arthur Conan Doyle, que acreditava na possibilidade de se falar com mortos, mas combatia a idéia de reencarnação.

 

 

- Hippolyte Léon Denizard Rivail – nascido em 1804 na França – maçon do grau 33 – iniciado em assuntos esotéricos e orientais – mistura a crença grega na “transmigração da alma” e a “lei do karma” hindu-budista, desenvolvendo a doutrina da reencarnação, adaptada para uma concepção ocidentalizada. Em 1853 Denizard Rivail adota o pseudônimo de Allan Kardec e se diz “missionário dos espíritos”. Torna-se escritor de obras ditadas pelo “plano espiritual”.

 

- 1857 – primeiro livro de Kardec: O Livro dos Espíritos. Seguem-se O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo e muitos outros. O espiritismo francês se espalha como uma febre.

 

- Espiritismo inglês X Espiritismo francês – Kardec vence.

 

- 1875 – Helena Petrovna Blavatsky cria a Sociedade Teosófica. Ensina um espiritismo esotérico que, ao contrário do kardecismo, é ateísta e anti-cristão. Prega a extinção do cristianismo.

 

- O kardecismo foi o que mais se popularizou, por causa de diversos fatores, como:

 

·     o fato de se dizer cristão;

·     de usar alguns textos da Bíblia;

·     de falar em nome de Deus e chamar Jesus de Mestre dos mestres;

·     de afirmar ser uma “filosofia”, e não uma religião;

·     de dizer-se “neutro” e ser aberto a pessoas de todas as religiões;

 

·     de apresentar-se como uma “ciência”, baseado na observação e em “evidências”;

 

 

 

 

 

 

·     de dar forte ênfase na prática da caridade;

·     de prometer que os entes queridos que morrem podem falar conosco e nós com eles, trocar mensagens e ajudarem-se mutuamente;

·     de oferecer o conforto de não crer numa condenação eterna e que todos um dia chegarão ao reino dos céus;

·     etc.

 

- 1888 – Irmãs Fox confessam sua fraude. Era uma brincadeira de criança para assustar a mãe. Num auditório mostram como produziam as “pancadas na madeira” feitas “pelo morto”. Mas isso não refreia mais o espiritismo.

 

- Últimos 30 anos – o kardecismo perde espaço para o esoterismo e o afro-espiritismo. Esoterismo – influência dos gurus orientais dos anos 60; Afro-espiritismo – sob ingênua influência dos movimentos de cultura negra, indigenismo e músicas afro.

 

- O espiritismo torna-se mais complexo e  comporta-se como um “camaleão”. De “filosofia cristã neutra” no início, depois manifesta-se ameaçador aos mais envolvidos, cobrando fidelidade às “entidades espirituais” e rejeição aos princípios genuinamente cristãos.

 

 

3. Minando as bases “racionais” do Espiritismo

 

 

Posicionamento espírita

Incoerência lógica

Negam a Bíblia como a Verdade revelada de Deus

Mas usam textos da Bíblia para “confirmar” suas crenças

O “espírito” Ramatís é uma das entidades que mais ditou ensinamentos e doutrinas para o espiritismo

Porém, Ramatís mentiu várias vezes nos seus ensinos. Um dos casos foi o do livro “A Vida no Planeta Marte”, psicografado pelo médium brasileiro Hercílio Maes, onde em 1957 descreve com detalhes a adiantada civilização marciana. Ainda assim, os espíritas continuam confiando em Ramatís.

Apresentam-se como ciência e estimulam uma atitude crítica, lógica e científica em relação ao pensamento e ao conhecimento

Entretanto, não investigam os depoimentos de ex-médiuns e ex-espíritas famosos que se converteram a Jesus e passaram a denunciar os “bastidores” do espiritismo, provando tratar-se de um “belo” engano demoníaco*.

Acusam a doutrina bíblica da condenação eterna de injusta e, por isso, inaceitável

Mas adotam a doutrina da reencarnação, acusada de injusta e inaceitável até pelo espiritismo inglês.

Os “espíritos de luz” revelam-se no kardecismo como entidades superiores representantes da Verdade de Deus, orientados por Jesus

Só que as revelações dos “espíritos” de Kardec não batem com as dos “espíritos” de Madame Blavatsky, ambas não batem com os “espíritos” orientalistas e nenhuma bate com as entidades  do espiritismo afro-ameríndio – além de várias discordâncias, estas outras 3 correntes não crêem no Deus pessoal cristão, não têm nenhuma consideração por Jesus e nem se harmonizam com os ensinos de Jesus, dos apóstolos e dos profetas, na Bíblia.

Os “espíritos” ensinam no kardecismo que a reencarnação é uma dádiva que nos aperfeiçoa e nos aproxima do reino dos céus, que só os seres humanos reencarnam, e sempre como humanos

Idem anterior. Os “espíritos” do espiritismo esotérico e do espiritismo oriental ensinam a reencarnação como uma escravidão da alma, que aprisiona o espírito humano a corpos físicos, que podem variar de vegetal a animal, e até mineral. Para livrar-se dela o homem precisa praticar a meditação, o esvaziamento mental e a mortificação do corpo e da mente**.

 

* Vide os seguintes livros de ex-médiuns famosos: Nos Bastidores dos Espíritos; O Espiritismo à Luz das Sagradas Escrituras; Eu falei com os Espíritos; Minha Vida com os Espíritos; The Beautiful Side of Evil; Like Lambs to Slaughter etc.

 

** Vide o testemunho de conversão de Rabi Maharaj, em A Morte de um Guru.

 

 

 

4. Argumentos que podem ser usados pelos cristãos

 

 

·      Questionar: como os espíritas podem usar a Bíblia sem crer nela? Isto é uma incoerência. E se disserem que crêem na Bíblia, como explicam os ensinos desta contra as crenças do espiritismo? E se argumentarem que “somente algumas partes da Bíblia contêm a Verdade de Deus”, por que será que a “verdade” está contida justamente nas poucas passagens que eles próprios selecionam, fora de seu contexto original?

 

·      Os espíritas devem ser levados a uma posição de coerência: se crêem na Bíblia, então precisam crer em toda a Escritura, e não apenas nas passagens convenientes às suas crenças. Se não crêem, então não podem crer nem mesmo que Jesus tenha existido, não deveriam fazer uso de nenhuma de Suas palavras e nem de trechos escritos pelos apóstolos e profetas, já que a Bíblia é o único documento histórico-arqueológico que traz referências a estes personagens.

 

·      Os espíritas dizem que Paulo e Moisés foram “os dois maiores médiuns da humanidade”. A única fonte histórica fidedigna que nos fala de Paulo e Moisés é a Bíblia, portanto os espíritas crêem que estes dois existiram por que crêem no que a Bíblia diz sobre eles. Só que os escritos de Paulo e Moisés, existentes apenas na Bíblia, negam veementemente a doutrina espírita e a possibilidade de que os dois homens bíblicos fossem “médiuns” (cite-se como exemplo Dt 18: 10-12 e Ef 2: 8,9/Hb 9:27). Nessa hora, o que está na Bíblia não tem valor para os espíritas, demonstrando incoerência lógica da parte deles.

 

·      Como é possível aos “espíritos” ensinarem uma coisa através do kardecismo, outra através do espiritismo afro-ameríndio, outra pelo espiritismo esotérico e ainda outra pelo espiritismo oriental? A “verdade dos espíritos” não deveria ser uma só?

 

·     Como podem os espíritas continuarem tomando por base os ensinamentos de “espíritos de luz” como Ramatís, que já foram desmascarados como mentirosos declarados?

 

·      Outros que você mesmo pode criar, utilizando o senso crítico, o raciocínio e a lógica de pensamento.

 

5. Quadro comparativo Espiritismo X Bíblia – o que cada um diz sobre…

 
 

 

 

Espiritismo [3]

Bíblia [4]

Ressurreição corporal de Jesus

 

·      Para o kardecismo, o corpo carnal de Jesus morreu na cruz e o que apareceu depois foi seu espírito (corpo fluídico), que então elevou-se e “apagou-se”. Seu corpo e seu espírito eram como os de todos nós (A Gênese, pág. 1054 e 1055).

Ressurreição corporal de Jesus

 

·      Negar a ressurreição corpórea de Jesus é pregar “um novo evangelho, maldito” (1ª Co 15:3-6,14-17; Gl 1:8,9).

·      O próprio Jesus disse que iria ressuscitar (Jo 2: 19-22).

·      Quando as mulheres chegaram para visitar o túmulo, ele estava vazio – sem corpo (Lc 24: 1-3).

·      Os anjos testemunharam Sua ressurreição (Lc 24: 4-6).

·      Jesus apareceu várias vezes, depois de ressuscitado (Lc 24:36-41; Jo 20:19-21, 25-28; Mc 16:9).

·      Jesus não “apagou-se”, Ele foi assunto aos céus (At 1:9-11).

Salvação

 

·      No mundo dos espíritos as almas fazem o mal como aqui. Colhem o que semeiam, mas são gradualmente purificadas e abençoadas. O homem torna-se seu próprio salvador. Aperfeiçoa-se nesta vida pelo convívio com os espíritos e pela prática das obras (caridade).

Salvação

 

·      Somos salvos pela graça (Ef 2:8,9)

·      Não pode ser obtida por obras (Tt 3:5; Gl 2:16-21;3:10,11; Rm 6:23; etc.)

·      A salvação só vem por meio de Jesus (Jo 14:6-10; At 4:12; 1ª Tm 2:5; Jo 20:31; 1ª Jo 4:14; Jo 3:16; etc.)

Deus

 

·      O kardecismo fala de um Deus pessoal e infinito; as outras linhas não. Há muitas posições, inclusive politeístas (“quando há mentes que necessitam de um deus para adorar, o plano espiritual providencia quantos deuses forem necessários”, crêem alguns)

Deus

 

·      Deus é um ser pessoal (Jo 17:3; Sl 116:1,2; Gn 6:6; Ap 3:10 etc.)

·      Deus é único (Dt 6:4; Is 45:5,18; 1ª Tm 1:17; Jd 25 etc.)

Bíblia

 

·      Não é um livro sagrado, apenas uma boa literatura religiosa

·      Não é a Verdade revelada e seus autores não foram inspirados por Deus

·      É cheia de incoerências, falsos ensinos e deturpações. Algumas partes são corretas.

Bíblia

 

·      É inspirada por Deus (2ª Tm 3:16; 2ª Pe 1:20,21 etc.)

·      Ela é a Verdade revelada de Deus e erra quem não a conhece e não a considera (Mt 22:29; Mc 12:24; Jo 2:22; Jo 5:39; At 17:11; At 18:28; Rm 15:4; Gl 3:8; Gl 3:22; 2ª Tm 3:16 etc.)

·      Paulo já considerava os escritos do NT como Escrituras (1ª Co 15:4)

·      É infalível (Jo 10:35)

Jesus Cristo

 

·      Não era divino, nem Cristo, nem salvador – era um médium e sua missão era dar um exemplo de amor e caridade

·      Para o kardecismo, foi o espírito mais evoluído, chegando ao fim de suas encarnações.

·      Para o esoterismo e orientalismo, era uma espécie de guru restrito a uma era

Jesus Cristo

 

·      Foi superior aos homens (Hb 7:26 etc.)

·      Nunca foi apresentado na Bíblia como médium (At 3:19-24; Hb 7:26,27; Fp 2:9-11)

·      Apresentava-se a si mesmo como único Caminho, única Verdade e único meio do homem chegar a Deus (Jo 14:6; Jo 5:24 etc.)

·      Era o messias prometido, Deus que se tornou homem, o Salvador  (Jo 1:41; Jo 4:25; Hb 13:8; Jo 1:29; Jo 1:36; 1ª Co 5:7; Ap 5:12; Ap 7:10; Ap 13:8; Ap 19:7; Ap 21:23; Ap 22:3; Jo 3:16; Jo 14:6-10; Jo 5:39; Lc 4:21; Lc 24:27; 1ª Tm 2:5 etc.)

Expiação 

 

·      Abominam a doutrina de que o homem nasce pecador, necessitado da graça de Deus, e que Jesus dá o perdão por estes pecados àqueles que crêem nEle e na obra que veio realizar.

 

 

Expiação

 

·      Jesus fez a remissão/expiação dos nossos pecados, voluntariamente; a remissão/expiação/perdão permanente de todos os pecados é obtida, gratuitamente, só pela em Jesus (Tt 2:11-14; At 10:43; Ef 1:5-10; Hb 7:24-28; Jo 10:28; Jo 17:3; Rm 6:23; Hb 5:9 etc.)

·      Somos todos espiritualmente mortos, separados de Deus e necessitados de Salvação (Mt 7:13,14, 21-23; Lc 13:23-28; Jo 14:6; Jo 3:16-18; Jo 3:3; Jo 10:9; Jo 11:25,26; Jo 17:3; Jo 5:24; 1ª Tm 2:5; Mt 18:3; Mt 13:14,15; Mt 11:28-30; etc.)

Inferno

 

·      Não aceitam o inferno ou a condenação eterna. Acham injusta e absurda esta doutrina, que acusam ter sido inventada para assustar os que desobedeciam a lei da Igreja. 

Inferno

 

·      A condenação para quem não aceita Jesus é fato, e o inferno – que é passar a eternidade na ausência de Deus, ou seja, caos – existe e será habitação final e eterna dos condenados, do diabo e dos demais anjos caídos (Mc 16:16; Mt 18:8; Mt 23:33; Mt 25:41; Rm 3:8; Rm 8:1; Rm 13:2; Dn 12:2; Jd 6,7 etc.). Entretanto, importa lembrar que, ao contrário do que dizem as religiões, o Cristianismo bíblico ensina que Deus não manda ninguém para o inferno, sendo o fato uma conseqüência do mau uso do livre arbítrio e de responsabilidade única e pessoal de cada indivíduo, ao recusar-se a crer/aceitar, por fé, o dom da vida eterna que o Criador nos oferece gratuitamente, anulando nossa condição de separados espiritualmente de Deus.

Igreja

 

·      A Igreja é um instrumento humano de coerção e opressão espiritual, cerceador da liberdade de pensamento e serva de interesses particulares. Para eles, a Igreja barrou na história toda a oportunidade de progresso espiritual

 

Igreja

 

·      Foi fundada por Jesus Cristo, que é o Cabeça da igreja;  jamais será vencida, pertence a Deus e é por Ele guardada (Ap 3:10; 1ª Tm 3:15; Mt 16:18; Ef 1:22; Ef 5:23; Cl 1:18 )

·      Representa o Corpo de Cristo, com uma missão por Ele próprio delegada; é constituída pelos que tornam-se crentes na obra redentora de Jesus; é o fórum legítimo para ação do Espírito Santo; tem papel fundamental no estabelecimento do Reino de Deus; foi multiplicada e edificada pelos apóstolos; e é diferente da religião humana institucionalizada e corrompida ( Mt 18:17; At 5:11; At 8:3; At 9:31; At 11:22; At 12:1,5; At 13:1; At 14:23,27; At 15:4; At 16:5; At 20:28; Rm 16:5; 1ª Co 7:17; 1ª Co 10:32; 1ª Co 11:18,22; 1ª Co 12:28; Gl 1:13; Ef 3:21; 1ª Tm 3:5; 1ª Tm 5:16; Hb 12:23; Tg 5:14; 3ª Jo 10; Ap 1:4; Ap 2:23; Ap 22:16 etc.)

[1] O presente estudo sobre Espiritismo foi elaborado pelo prof. Ricardo Marques, ex-médium espírita kardecista que, mais tarde, chegou a se envolver também, profundamente, com o esoterismo, tornando-se membro do Colégio dos Magos e da Ordem Rosacruz. Foi, ainda, um dos pioneiros da Nova Era no Brasil, havendo sido um dos fundadores da Associação Brasileira para a Era de Aquário, uma das primeiras entidades promotoras desse movimento no país. Criou o Grupo Alpha 7 de Desenvolvimento Mental, onde lecionava cursos sobre leitura da aura, projeção astral, telepatia, contatos com espíritos de luz etc. Pela graça de Deus, foi resgatado destes engodos pelo amor de Jesus, tornando-se um cristão convicto, no sentido bíblico e original do termo. Esse estudo sobre Espiritismo foi ministrado pela equipe do NCI (Núcleo Cristão de Informação) à Igreja Batista Central de Fortaleza, na Escola Bíblica Dominical, em agosto de 1997, como parte da disciplina “Conhecendo as Seitas”.

[2] Sincretismo: é quando as crenças e práticas de uma religião não são originais, mas sim advindas da combinação de crenças e práticas copiadas, adaptadas e misturadas a partir de outras religiões, muitas vezes até opostas. No caso das chamadas “religiões afrobrasileiras”, por exemplo, houve historicamente, no Brasil, uma adaptação e mistura de crenças e práticas de três linhas religiosas que originalmente não se harmonizam: o catolicismo romano, mitologias tribais africanas e um pouco de religiosidade indígena sulamericana, o que comprova a falsidade dessas religiões afrobrasileiras (uma religião “inventada” a partir da mistura de elementos importados de origens diversas não tem como representar a Verdade, por uma simples questão de coerência lógica). Todas as linhas espíritas são sincréticas, inclusive o kardecismo, que importou elementos do hinduísmo e do budismo e adaptou-os à visão ocidental, incluindo aí uma máscara pseudo-cristã. Portanto, é coisa criada pelo homem.

[3] As afirmações feitas nesta coluna, intitulada “Espiritismo”, foram retiradas diretamente da literatura espírita clássica, principalmente das obras de Kardec. Não se trata de “acusações” contra o espiritismo ou de interpretações erradas.

[4] As afirmações feitas nesta coluna, intitulada “Bíblia”, foram extraídas diretamente da própria Bíblia, de acordo com o contexto real em que aparecem, sem deturpações ou adaptações. Não se trata, portanto, de uma questão de interpretação pessoal nem de opinião pessoal do autor.

 

 

Fluxo da Informação através do NCI Sábado, 17, Maio, 2008

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(* ) O papel do NCI entre o nível da informação investigada e o conhecimento profético que chega aos três alvos supracitados:

 

Objetivos:


1.      Investigação, pesquisa e gestão da informação e do conhecimento em geral, com ênfase profética.

 

2.      Identificação das informações relevantes à edificação do povo de Deus e à melhor compreensão dos tempos em que vivemos.

 

3.      Gestão da informação selecionada, elaborando uma releitura da mesma sob enfoque bíblico-cristão e profético.

 

4.      Transformação das informações selecionadas em conhecimento estratégico para os cristãos, em diversos níveis.

 

5.      Divulgação e ensino dos conhecimentos gerados.

 

6.      Posicionamento formal e ensino rigorosamente fundamentado, fazendo conhecer ao público o ponto de vista cristão a respeito de assuntos polêmicos levantados na sociedade e sobre os quais a comunidade evangélica costuma silenciar.

 

7.      Denúncia e análise crítica daquilo que, na sociedade em geral e na própria comunidade cristã, aponte para a disseminação do pecado, a operação do erro, a perseguição contra cristãos e/ou para a apostasia.

 

8.      Serviço de consultoria/assessoria para líderes e membros da IBC, para a comunidade cristã em geral e para não-crentes, nessa ordem de prioridade.

 

9.      Geração de outras iniciativas, como cursos, palestras, publicações, capacitação, produção de eventos etc.


 

O mito do eterno retorno Quinta-feira, 8, Maio, 2008

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Reflexões de um ex-espírita e ex-esotérico sobre o pensamento “espiritualista” e a reencarnação

 

 

Ricardo B. Marques [1]

 

        

Antes de entrarmos diretamente no assunto reencarnação, importa que tracemos um breve pano de fundo para o mesmo, situando o tema em seu contexto original das tradições mágico-religiosas e as miríades de movimentos, organizações e pessoas que reivindicam para si a detenção da verdade primeira.

 

Comecemos por mencionar como a maioria dos “pesquisadores” espíritas, que afirma categórica e apaixonadamente a reencarnação como uma “verdade indiscutível”, utiliza-se da mesma “técnica” dos esotéricos para conquistar adeptos: apresentam “fatos incontestáveis” de suas crenças e citam exemplos de grandes personalidades que, segundo eles, teriam aderido aos seus ensinos.

 

Isso nos remete principalmente ao espiritismo esotérico, que costuma tentar legitimar suas crenças através da citação de manuscritos e pergaminhos antigos que conteriam revelações sobre a real natureza da Verdade, dando a entender que aquilo que os cristãos cremos através da Bíblia ou da religião não passa de deturpações de uma sabedoria original milenar. Estes manuscritos seriam a “prova” definitiva de que, por exemplo, o cristianismo bíblico (termo que usaremos para que se diferencie do pseudocristianismo, religioso, institucionalizado e meramente humano) nada mais é do que um fragmento da Verdade, supostamente distorcido, e que somente os “iniciados” nesse alegado “conhecimento antigo secreto” seriam capazes de nos reconectar à Verdade suprema.

 

O problema é que quando perguntados sobre onde estão estes manuscritos, fala-se então, a exemplo de Helena Blavatsky (mãe do esoterismo “moderno”), em “mosteiros secretos” escondidos nos confins de “abismos perdidos” do Himalaia e outras paragens… Enfim, totalmente impossível de se comprovar.

 

O mais curioso é que as próprias miríades de facções esotéricas assumem cada uma para si a prerrogativa de detentoras dessa “sabedoria milenar”, em geral relacionada a civilizações míticas de um passado não comprovável, e sequer se constrangem com o fato de que seus discursos não se harmonizam entre elas mesmas, pondo em dúvida a legitimidade das “verdades” por elas reivindicadas.

 

Por exemplo, os rosacruzes citam cientistas como Isaac Newton, Michael Faraday e Albert Einstein como tendo pertencido à sua organização. Sabe-se historicamente que Newton e Faraday eram cristãos de orientação protestante e que discordavam publicamente desse tipo de misticismo. Como poderiam pertencer a uma sociedade mística que prega pontos profundamente conflitantes com o cristianismo bíblico ao qual confessavam? Seria um contra-senso. Óbvio, os rosacruzes criaram esses boatos para tentar dar alguma legitimidade aos seus ensinos – prática, aliás, bastante comum em fazedores de crenças.

 

Pelo mesmo motivo, a maioria das filosofias, organizações e seitas sem um rastro visível na história insistem em elaborar para si origens ligadas a sábios respeitados da Antigüidade ou a seres que estariam “acima de qualquer suspeita”.

 

Ainda no exemplo anterior, os próprios rosacruzes, sejam eles da Amorc, da Rosa Cruz Áurea ou outra qualquer, se dizem (embora uns contradigam os outros) os verdadeiros e legítimos porta-vozes de uma sabedoria secreta originária dos antigos faraós e sacerdotes egípcios. Entretanto, não é estranho que nenhum egiptólogo jamais tenha encontrado qualquer sinal de crenças, práticas ou rituais que sequer se assemelhem aos ensinos rosacrucianos?

 

Os defensores mais recentes da reencarnação, sejam kardecistas ou esotéricos, apelam comumente para o “fato” (sic) de que essa crença estava presente em quase todas as religiões e culturas antigas, bem como nas diversas culturas indígenas pelo planeta afora. São freqüentes as afirmações do tipo: “antropólogos encontraram provas na cultura dos trogloditas da crença na reencarnação” (dita por um palestrante num Encontro sobre Reencarnação ocorrido na Universidade Estadual do Ceará, em 1995); “civilizações antigas criam na reencarnação, como os persas, os egípcios, os babilônicos, os assírios …” (idem).

 

A maior parte das pessoas tem por hábito acreditar sem averiguar e, por isso, ficam impressionadas com informações como estas, citadas em palestras, documentários ou veiculadas em jornais e revistas. Embevecem-se especialmente se as informações forem, por algum motivo, coniventes com os interesses particulares e preferências de quem as escuta.

 

Contudo, quem entende de um pouco de História Comparada das Religiões, saberá que, entre culturas como a persa, a egípcia, a babilônica, a assíria etc., apesar de altamente místicas, nenhuma delas cria em reencarnação. A doutrina simplesmente não existia, nem mesmo numa forma primitiva. Igualmente as culturas indígenas não incluem a reencarnação entre suas crenças, apesar de possuírem um marcante elemento espírita (crêem no contato entre os vivos e os mortos). Apesar disso, os divulgadores da reencarnação insistem em usar esses falsos argumentos para convencer incautos mal informados.

 

Na verdade, os hindus e os gregos primitivos foram as únicas civilizações pré-cristãs que criam na reencarnação – e, curiosamente, de uma forma bem distinta da defendida por Kardec, o responsável por introduzir essa crença no Ocidente, e num contexto pseudocristão. Os compêndios de Filosofia esclarecem que a idéia grega de “metempsicose” ou transmigração da alma não era exatamente uma crença na reencarnação, e sua influência sobre esse credo foi bastante limitada.

 

Historicamente os especialistas apontam os hindus como responsáveis pela elaboração deste dogma religioso, criado numa cultura dominada pelo temor a miríades de deuses terríveis e por castas sociais opressoras. A reencarnação aparece em determinado momento da história hindu através da “lei do karma”, sendo praticamente unânime a interpretação dos historiadores da filosofia de que os criadores dessa “lei” teriam sido membros da casta sacerdotal dominante na sociedade hindu – o que era bastante conveniente. Estes senhores, através da reencarnação, justificavam sua posição social e assim evitavam questionamentos por parte do povo oprimido que, àquela altura, parecia ameaçar o poder.

 

A “lei do karma” foi ensinada para o povo como uma lei natural cósmica, que governava os mundos e as vidas. A alma seria uma essência etérea separada do corpo físico, mas a ele aprisionada. Dependendo do tipo de vida que se levasse em determinada encarnação, poder-se-ia retornar na próxima vez numa forma melhor ou em uma pior, podendo a alma encarnar em forma humana, animal, vegetal e até mineral. A vaca é vista por eles, até hoje, como a forma física mais divina e próxima da perfeição, e todo hindu sonha em um dia nascer como vaca (vide a autobiografia do guru indiano Rabi Maharaj, convertido a Jesus, em seu livro A Morte de um Guru; ali, Maharaj fala com profundo conhecimento de causa, e chega a ridicularizar a “lei do karma” e a doutrina da reencarnação, tamanha sua decepção quando se descobriu enganado).

 

A reencarnação, portanto, é vista pelos hindus como uma grande “roda de vidas” que gira sem fim, à qual todos os seres vivos estaríamos escravizados. Isso mesmo: no conceito hindu de karma, a reencarnação é uma desgraça, uma escravidão da alma da qual cada ser humano deveria sonhar em encontrar uma forma de se livrar.

 

Seriam bilhões e bilhões de encarnações sucessivas, uma prisão para a alma que anseia escapar dessa “lei” e unir-se a Krishna, uma energia universal impensante e imaterial, que permeia todo o cosmos. Entre Krishna e os seres vivos, haveria dimensões intermediárias habitadas por milhões de deuses antropomórficos, monstruosos e perversos, aos quais devem ser prestadas adorações e oferendas visando aplacar-lhes a ira. Esta é a única e verdadeira história da origem da crença na reencarnação.

 

Havia tantas crenças distintas entre os hindus quantos eram seus deuses. Entre estas, algumas foram desenvolvidas por mendigos peregrinos, que, desejosos de escapar da submissão às castas dominantes e da “roda vida das reencarnações”, afirmaram haver criado técnicas que elevariam o homem a categorias espirituais superiores, evitando que a vida presente contribuísse com mais pontos negativos para o “karma” que lhes era imposto. Vem daí a meditação transcendental e os vários tipos de ioga.

 

O objetivo de tais práticas é “neutralizar” a mente, esvaziando-a de qualquer pensamento, e mortificar o corpo, privando-o do acesso a qualquer tipo de prazer. Não são poucos os iogues e gurus que chegam à morte por sede e fome. No livro A Morte de um Guru, Rabi Maharaj testifica como seu pai se orgulhava de conseguir ficar semanas sem comer, beber, fazer sexo, pensar etc. E confirma como a família ficou feliz quando ele morreu nessa condição, todos achando que o pobre homem poderia reencarnar como um pássaro ou até uma vaca, sinal de que havia evoluído, e não regredido.

 

Um dos grandes responsáveis pela difusão da idéia de reencarnação foi Sidarta Gautama, o Buda (“Iluminado”). Era um jovem príncipe, riquíssimo, que vivia no palácio de seus pais com todas as regalias e impedido de ver o mundo exterior para não se chocar com a pobreza e a desgraça que reinava lá fora. Um dia ele saiu e não quis mais voltar. Peregrinou como mendigo por várias paragens, não conseguindo compreender o sofrimento humano e insatisfeito com as respostas da sua religião, o hinduísmo tradicional.

 

Sidarta começou suas caminhadas como um iogue (a ioga era uma forma radical de hinduísmo, praticada pelos pobres, enquanto os ricos adotavam um hinduísmo mais erudito, chamado brahmanismo). Porém, não encontrando resultados, disse haver descoberto uma prática intermediária, menos radical que a ioga, e menos erudita que o brahmanismo, à qual chamou de madhyama (o caminho do meio). Através desse “caminho”, Sidarta buscava atingir um estado de “iluminação plena”: desapegar-se dos bens materiais, dos prazeres mundanos e mergulhar na compaixão que une todos os seres do universo. Este estado foi apelidado de boddhi (despertar ou iluminação), no qual uma pessoa se desfaria de todas as ilusões do seu ego e entraria no nirvana – isto é, através da meditação, os sentidos, prazeres e temores cessam, dando lugar à serenidade e a um estado de consciência perfeito. Aquele que atinge o boddhi e entra no nirvana, torna-se um buddha (iluminado), alguém que alcançou a perfeição mental e disciplinar máxima. Um buddha seria capaz de contemplar todos os seus karmas e encarnações anteriores, conhecendo sua verdade pessoal e, estando no nirvana, seria possível retornar ao “estado original do ser”, vendo-se “inteiro” e ilimitado, com a consciência finalmente unindo-se ao cosmos.

 

Sidarta dizia haver atingido essa condição, e por isso passou a ser conhecido por seus discípulos como Buda. Assim, cercou-se ele de alguns discípulos e saiu a pregar sua doutrina, que continuou em muito semelhante à dos hindus, com algumas adaptações. Mas há uma questão curiosa: se Sidarta Gautama atingiu esse estado, por que motivo várias correntes budistas acreditam que ele continua reencarnando? Muitos budistas pensam que todos os “Dalai Lama” (os líderes do budismo no Tibete) – estamos no 14º – seriam sucessivas reencarnações do Buda. Há quem tente “forçar” uma explicação, dizendo que ele “escolheu” ficar servindo à humanidade através das reencarnações, mas isso já contradiz uma série de outros princípios budistas – que, infelizmente, não dá para discutirmos aqui…

 

Apesar de haver sido “inventado” antes de Cristo, foi apenas por volta de 500 d.C que o budismo espalhou-se pela Ásia oriental, tornando-se a religião mais praticada naquela parte do continente, como é até hoje. Nesse tempo a igreja cristã, ainda não totalmente dominada pela religiosidade institucionalizada, já se espalhara pela Europa e Ásia ocidental. Com o hinduísmo, a crença na reencarnação, criada pelos altos sacerdotes com o fim político de conter a insatisfação das castas inferiores, fazendo-as crer que era seu “destino” sofrer e servir às castas superiores, nunca se propagou além das fronteiras indianas e circunvizinhanças. Mas através do budismo, religião-filha do hinduísmo, essa doutrina oriental da “escravidão da alma à matéria” veio a se espalhar por toda a Ásia e, mais recentemente, fora dela.

 

Um fato importante: enquanto o Cristianismo bíblico é a única religião da história cujas doutrinas provêm de revelações proféticas atestáveis e de pregações da boca de um Homem que, em meio a milagres extraordinários e inigualáveis, apresentava-se como o Messias prometido (o próprio Deus vindo em forma humana) para redimir a humanidade, o budismo foi apenas mais uma manifestação mística em que um homem comum – embora sábio – formulou crenças que eram produto exclusivo de suas reflexões pessoais. Essa comparação é importante porque deve, no mínimo, gerar dúvidas a respeito da confiabilidade de certos dogmas humanos que se propõem a assumir status de Verdade.

 

Muitos desses detalhes históricos sempre foram e são omitidos do público ocidental pelos gurus que vieram para cá fazer fortuna, fugindo da miséria em que viviam no Oriente; assim como foram também omitidos por Kardec, que adaptou convenientemente a estranha doutrina oriental da reencarnação ao racionalismo cristianizado da sociedade do Ocidente. Caso as coisas fossem mostradas como realmente são, sem dúvida muita gente se daria conta da profunda incoerência e insustentabilidade de várias destas crenças, que hoje são “vendidas” em roupagens tão agradáveis e convenientes – chega-se ao cúmulo de serem apresentadas como crenças “cristãs”.

 

Note-se que a reencarnação ensinada por Kardec tem abordagem radicalmente contrária à ensinada pelos orientais, que curiosamente são os autores da doutrina. Por exemplo, Kardec disse haver recebido dos “espíritos” o ensino de que a reencarnação é uma dádiva celestial, uma oportunidade contínua para que o espírito se redima dos erros cometidos em outras vidas. Já as “entidades” orientais ensinaram aos mestres hindus e budistas que a reencarnação é uma desgraça cósmica, uma escravidão sem fim da qual a alma só se liberta através de uma vida monástica. Kardec pregava que apenas as pessoas reencarnam, e sempre na forma humana, enquanto a tradição oriental crê firmemente que o retorno pode se dar em qualquer forma material. Os orientais não crêem em um Deus pessoal, que se relaciona com Sua criação, e imaginam que a lei do karma é um fenômeno da própria natureza, que a alma liberta das encarnações une-se a uma “força” cósmica impessoal, uma “energia”. Em contrapartida, Kardec “cristianizou” a reencarnação, colocando-a como uma espécie de justiça divina baseada no mérito pessoal, e pondo Deus como o controlador do processo.

 

Como sempre, as “provas” que os defensores da reencarnação oferecem não existem – são afirmações fantasiosas feitas estratégica ou ingenuamente pelos defensores de idéias anticristãs (em alguns casos, deve-se ressaltar, muitas destas pessoas são bem-intencionadas, é claro). Já pessoas como Kardec e Helena Blavatsky (criadora da Teosofia, corrente esotérica explicitamente rival do Cristianismo bíblico), entre tantos outros menos célebres, se utilizaram desse expediente enganoso por saberem que a grande maioria do público iria crer por necessidade, conveniência ou simpatia, não importando a Verdade. O resultado seria bem outro, caso as pessoas partissem para a investigação, se quisessem mesmo saber se as alegações dos reencarnacionistas são verídicas, se averiguassem se determinadas personalidades realmente disseram o que lhes é atribuído por aí, se culturas antigas criam mesmo naquilo que os místicos dizem que elas criam, se as “provas” citadas por essas pessoas existem mesmo… Enfim, se fosse esse o posicionamento das pessoas curiosas pela Verdade, o engodo a que estamos expostos dia após dia seria percebido bem mais facilmente.

 

Os defensores da reencarnação e do espiritismo acham, mas pouco ou quase nada conhecem sobre a doutrina cristã e bíblica. Criticam um suposto Deus perverso, a figura de um diabo com chifres e tridente, o inferno dantesco, o paraíso ocioso, as idéias opressoras da idade média, a entrada dos bons no céu e a condenação dos maus ao inferno… Rejeitam o Cristianismo bíblico por causa de crenças como estas. Só que tudo está errado nessas concepções, pois o Cristianismo bíblico nunca pregou isso. A religião, mais especificamente a igreja católica romana (por ter sido a mais influente), que se diz representante do cristianismo, mas ensina coisas que Cristo nunca ensinou, esta sim, talvez seja uma das maiores responsáveis por tais distorções. E setores protestantes também possuem parcela de culpa nessa confusão toda.

 

“Agostinho cria na reencarnação”; “a mensagem de Jesus era reencarnacionista, mas os poderosos a modificaram, deturparam”. Estes são apenas mais alguns exemplos de colocações feitas pelo espiritismo, mas que não possuem qualquer base de sustentação. Todas as evidências existentes deixam muito claro que o teólogo cristão Agostinho abominava o espiritismo, e que Jesus alertou mais de uma vez contra esta e outras doutrinas, às quais Ele próprio taxou de “demoníacas”. Só que são poucos os que resistem ao que ouvem uma primeira vez e, numa atitude sensata, resolvem averiguar. Os que assim procedem, escapam da armadilha.

 

O que dizer do curioso fato de que até o movimento espírita inglês combateu incansavelmente a doutrina reencarnacionista, que apareceu com o espiritismo francês, elaborado e promovido por Kardec? Hyppolite Léon Denizard Rivail, que adotou o pseudônimo de Allan Kardec, adaptou o dogma hindu-budista para o Ocidente, pois sabia que a sociedade ocidental, pseudocristã, rejeitaria a “lei do karma” como era no original. Porém, nem todos os espíritas sucumbiriam à arguta argumentação do inteligente Kardec.

 

Os espíritas ingleses não admitiam a doutrina inventada por Kardec, não acreditavam na alegação de que ela havia sido “transmitida a ele por espíritos de luz”, e consideravam aquela crença do espiritismo francês como altamente injusta. Por exemplo, Conan Doyle [2], que seguia a linha do espiritismo inglês, juntamente com outros expoentes do espiritismo não-kardecista, argumentou o seguinte, em um debate público:

 

se uma pessoa tem sua vida atual determinada pelo seu passado; se ela paga nesta vida por aquilo que fez numa anterior; e se ela tem sua memória física apagada de uma vida para outra, então a reencarnação, como aliás crêem os hindus, isenta o homem da responsabilidade por seus atos, inocentando-o de quase qualquer atrocidade que cometa, o que é inaceitável. É também altamente injusta porque nos faz pagar por coisas que nem mesmo sabemos que fizemos, e é, ao nosso ver, a mais terrível das crenças”.

 

Isso me lembra uma história curiosa contada por um amigo espírita, quando viajávamos para os EUA em 1995. Segundo ele, no hospital em que trabalhava havia uma enfermeira que demonstrava não gostar dele desde a primeira vez que o viu. O mesmo ele sentia por ela. Então, numa sessão espírita, um médium revelou-lhe que, numa “vida anterior”, este meu conhecido e a referida enfermeira teriam sido inimigos ferrenhos. Na opinião deles, as experiências de cada “encarnação” ficam, de certa forma, inconscientemente gravadas na “memória do espírito”, chegando a influenciar fortemente a vida presente do indivíduo, suas atitudes, reações e assim por diante.

 

Não é curiosa, essa visão das coisas? Convenhamos: se assim o fosse, então as pessoas não podem ser culpadas de muitos de seus erros e nem pelos seus crimes. Afinal de contas, segundo o espiritismo, nossas ações e até nosso destino estariam determinados pelos acontecimentos das “vidas passadas” que tivemos. Trata-se de um fatalismo sem precedentes: se uma criança morre devido a maus tratos, ou se pessoas são massacradas num ato terrorista, é porque essas pessoas estariam “pagando” por atos cometidos em vidas anteriores, estariam “equilibrando a balança”, ou mesmo respondendo, vingativamente, por sofrimentos que lhe foram causados por terceiros. Logo, quem maltratou a criança, e quem praticou o terror, não passariam estes de peças de uma engrenagem cósmica, cumprindo seu destino pré-programado. Que culpa têm, de fazerem parte dessa “máquina cósmica” e de terem sido “escolhidos” para causar dor o e sofrimento a alguém?

 

Suponhamos, para exemplificar, que numa “encarnação anterior” você e seu vizinho foram, na verdade, grandes inimigos. Imagine que ele, naquela “outra vida”, matou toda a sua família de forma bastante cruel, diante dos seus olhos, e depois o torturou até a morte. Seu espírito, é claro, ficaria com esse terrível trauma registrado – inconscientemente – na memória. Só que, nesta “vida atual”, você não se lembra disso, mas seu “espírito” sente-se incomodado com a presença do vizinho, sem saber bem o por quê. Então, um dia seu “espírito” tem um acesso de cólera de tanto “lembrar” (no inconsciente) da imagem do vizinho realizando as atrocidades feitas na “encarnação passada” e, descontrolado, seu corpo físico pega uma escopeta e a descarrega no vizinho, que estava ali perto, ingenuamente cuidando do jardim.

 

A polícia chega e prende você, terrível assassino. Mas, nesse caso, você não teria culpa nenhuma do que fez! Afinal de contas, foi um evento inconsciente, ligado ao seu espírito e a fatos de “vidas passadas”. Se soubessem da sua história, as pessoas, na verdade, teriam pena de você, por tudo o que passou com sua família nas mãos daquele “homem terrível” que você acabou de matar – é fato que o homem não sabia de nada, estava ali cantarolando e regando as plantas… Mas, de alguma forma, você sabia que um “espírito mal” estava dentro daquele corpo, não é? Você não teve controle sobre a situação, por isso o matou. Como pode ser condenado pelo crime que cometeu?

 

Nessa perspectiva, poderíamos todos ser inocentados dos males que cometemos. Afinal, quem nos garante se os males que fizemos não foram resultado de conflitos internos do nosso “espírito”, em meio às confusas memórias enevoadas de “encarnações passadas”? Quem nos garante se Adolf Hitler não foi, na verdade, um corpo habitado por um espírito escolhido pelos poderes do além para causar sofrimento intenso a milhões de pessoas, a fim de que estas pagassem pelos males por elas cometidos em encarnações anteriores? Assim, todo o Holocausto deixaria de ser um horrendo acontecimento, para tornar-se um simples destino cármico, um ato de expiação, do qual ninguém era culpado e ninguém podia escapar… Percebe-se, ao se usar um pouco de raciocínio lógico e bom senso, o disparate que é a teoria reencarnacionista, a ponto de os espíritas ingleses, mesmo participando da prática de consulta aos mortos, que também é abominável para Deus [3], jamais a terem aceitado.

 

Outro fato marcante é o de Jesus nunca ser citado quando os espíritas emitem tão veementemente suas opiniões sobre inferno, céu, Satanás e pecado. Omitem, selecionam e, quando confrontados, usam convenientes sofismas, dizendo que “foi modificado”, “foi deturpado”, “é alegoria” e assim por diante.

 

Cabe aqui a necessidade dos cristãos esclarecidos chamarem os espíritas à racionalidade e fazê-los pensar na lógica e coerência (ou na falta delas) de seus posicionamentos. Na prática, o coerente seria crer em tudo o que a Bíblia diz e ser um crente, ou negar a Bíblia inteira e ser ateu. O que não dá é ficar selecionando só o que é conveniente àquilo em que se acredita, dizendo que alguns trechos bíblicos são inspirados por Deus, enquanto outros, do mesmo autor e fonte, são desprezados, simplesmente porque “não combinam” com o que deseja a crença da pessoa. (Atenção: é típico dos espíritas dizerem que crêem na Bíblia e que o espiritismo é “baseado” na Bíblia, mas isso tudo é uma falácia).

 

É, de fato, um problema essa falta de lógica como parte da cegueira espiritual que impede o homem de crer – é “o véu” que a Bíblia diz cobrir os rostos dos descrentes, impedindo-os de entender. Mas há diversas outras dificuldades: a ignorância e não averiguação do que é dito por Kardec e por outros; o desconhecimento quase total dos mais elementares princípios da exegese e da hermenêutica; a ignorância dos princípios bíblicos mais simples e a confusão com dogmas católicos medievais (“cão” com chifre, inferno de sofrimento e fogo, Deus perverso etc.); a falta de ume mente crítica, de lógica e de raciocínio analítico em relação aos próprios equívocos propagados pelo espiritismo (caso do livro em que o “espírito” Ramatís usa o médium Hercílio Maes para falar sobre “A Vida no Planeta Marte [4]”); o fato da crença espírita ser uma das que se fundamenta no emocional, no que soa mais “agradável” e conveniente (ver 2ª Epístola de Paulo a Timóteo, cap. 4 [5]); todos estes e muitos outros são aspectos sobre os quais as pessoas devem refletir, e os cristãos genuínos devem saber lançar mão, quando, por amor, pretenderem abalar os alicerces de areia do espiritismo e de sua doutrina fundamental, a reencarnação.

 

Foi dito numa palestra que as religiões não conseguiram dar respostas satisfatórias, e que o espiritismo o fez. Em parte, isso é verdade, se levarmos em conta que as religiões parecem ser realmente inaptas e que o espiritismo satisfaz porque dá as respostas que as pessoas desejam ouvir, e não exatamente as que correspondem à Verdade.

 

Falam os espíritas que a Bíblia não tem sustentação como revelação de Deus. No entanto, mostram um domínio extremamente superficial das Escrituras, indicando que não a conhecem como deveriam e, portanto, estão incapacitados para opinar sobre ela. Estranhamente, dizem crer em Cristo, ignorando que a Bíblia, da qual desacreditam (lembrem-se da falácia), é praticamente a única fonte histórica e doutrinária confiável que fala sobre Ele; logo, se a Bíblia é falsa, como saber se Jesus existiu mesmo, assim como os profetas e apóstolos? E se, uma vez confrontados com esse argumento, os espíritas tentarem alegar que aceitam apenas uma parte da Bíblia, não é estranho que as partes corretas são justamente aquelas que eles extraem do contexto na tentativa de apoiar suas doutrinas? Como acontece com quase todas as seitas, trechos bíblicos são isolados e citados fora do todo em que estão inseridos – dessa maneira, qualquer interpretação é possível.

 

Espíritas e médiuns famosos, como o brasileiro Héber Soares, a norte-americana Johanna Michaelsen e muitos, muitos outros, converteram-se do espiritismo para o Cristianismo bíblico, passando a acusar a doutrina de Kardec de “o belo lado do mal” ou “mal disfarçado de bem”.  Jesus disse que os demônios são seres físicos reais, anjos caídos liderados por um deles (originalmente Lúcifer, depois apelidado de “Satanás”, que significa “Adversário”), falou de sua natureza e como age, que trabalha com engodos [6], chamou-o de “pai da mentira e do engano”, mestre de estratégias, e que precisamos nos precaver dele – e isso sem alegorias. Em sua Epístola de Paulo aos Efésios, no capítulo 6, Paulo nos fala de Satanás, dos principados e potestades, do kosmokrator (sistema mundano) planejado e implementado por estes seres. Numa carta aos cristãos de Corinto, Paulo alerta inclusive para o fato de que o diabo se disfarça de bem (“espírito de luz”) para atrair os incautos.

 

Existem certos aspectos ligados ao que se chama atualmente de “igrejas” que devem ser bem entendidos. A igreja católico-romana constituiu-se mediante um sincretismo que mesclou um cristianismo deturpado com paganismo romano, de onde surgiram os famosos dogmas medievais da igreja romana, profundamente paganizada e envolvida em interesses políticos. E parte das igrejas chamadas protestantes (descendentes diretas da Reforma de Lutero e do movimento de Calvino), embora não sincréticas como a católico-romana, tiveram como agravante um histórico envolvido com interesses políticos, inclusive sofrendo forte influência dos interesses capitalistas, entre outras coisas. E mesmo algumas igrejas ditas “evangélicas”, muito comuns atualmente, no Brasil, são acometidas por uma “cultura” de alienação e certa dose de fanatismo. Mas precisa ficar muito claro que estes desvios não podem ser confundidos com as doutrinas cristãs originais, seguidas pela igreja primitiva, preservadas até hoje, quase incólumes e a muito custo, por alguns raros grupos cristãos abnegados e fiéis, que a própria Bíblia chama de “remanescentes” e que, sem que percebam isso claramente, Deus os faz sempre presentes na História. Estes grupos, inclusive, são ainda pouco conhecidos, nos seus ensinos, pelos espíritas, devido à parcialidade dos “pesquisadores” adeptos de Kardec e de outros expoentes dessa área, que filtram as informações veiculadas às crédulas e bem-intencionadas vítimas do espiritismo.

 

Ainda falando da igreja romana, um dos dogmas não-cristãos acrescentados por ela é o da prática das boas obras como exigência para o homem conquistar a salvação eterna. Assemelha-se bastante à crença kardecista de que “fora da caridade não há salvação”. Embora a caridade exigida pelo catolicismo restrinja-se a essa vida, e a caridade cobrada pelos kardecistas possa ser praticada ao longo de “vidas sucessivas”, ambas têm um elemento comum: neutralizam por completo a obra redentora de Cristo, conforme ensinada pelo próprio Jesus nos evangelhos, que é baseada na Graça de Deus.

 

A Graça parte do princípio inalienável de que nenhum homem pode conquistar o céu por mérito próprio, e que, seja bom ou mal, somente é redimido se for de graça, através de decisão pessoal, consciente, em crer e aceitar a obra expiatória realizada pelo Messias, Jesus, o Cristo. Somente por meio dessa conversão a Jesus, por meio exclusivo de uma fé viva, operante, despretensiosa e pessoal, em Sua pessoa e obra, é que um criminoso ou um santo podem entrar no Reino dos Céus. Se fôssemos conquistar a vida eterna por mérito, estaríamos perdidos, pois Jesus disse: “o mundo inteiro jaz no maligno”, e “não há um justo sequer, nem sequer um”. Todos que pensam serem justos, até o mais santo dos homens ou mulheres, têm dentro de si muitos pecados, muita sujeira a ser lavada. Por isso carecemos da graça amorosa do bondoso Deus. Se fosse por mérito, seríamos literalmente fulminados.

 

As obras são fundamentais, é claro. Obrigatórias, até. Contudo, têm de ser praticadas por coerência, como fruto da vida cristã, como marca de quem ama e se dá sem esperar nada em troca. Jamais para se “comprar” a redenção. Tudo isso é muito bem explicado na Bíblia, como, por exemplo, por Paulo em sua Carta aos Romanos, e também na Carta aos Gálatas. Interessante recordar que, a um criminoso que se converteu na hora de morrer, numa cruz ao lado da de Jesus, o Senhor lhe disse: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. E a muitos homens santos, até a líderes religiosos do povo, indagado sobre como fazer para ter a vida eterna, Jesus respondeu-lhes: “Se não fizerdes o vosso coração simples como o de uma criança, e não vos converterdes, não verás o reino de Deus”.

 

O autor do livro de Hebreus, no Novo Testamento, fala, no capítulo 9, versículo 27, que “ao homem está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo”. Por causa desse incômodo trecho, principalmente, ouve-se de espíritas que o livro de Hebreus não deve ser considerado “Palavra de Deus” (muitos estudiosos da Bíblia atribuem a autoria de Hebreus ao apóstolo Paulo, que os espíritas inacreditavelmente consideram ter sido um grande “médium”). Só que Paulo não fala sobre isso apenas em Hebreus 9:27. Ele diz, por exemplo, em Efésios 2: 8,9 (Efésios não tem sua autoria questionada), que “a salvação é obtida de graça, exclusivamente pela fé em Cristo; não pode ser conquistada por mérito próprio, é um dom de Deus. Não pode ser obtida pela prática das obras, isso para que ninguém se glorie”. E na carta aos Gálatas, Paulo diz: “Se a salvação da alma é pelas obras (caridade), conclui-se que Cristo morreu em vão”. Aqui mereceria um estudo particular sobre o verdadeiro significado da caridade para Deus e para o cristão genuíno, conforme a Bíblia, e que é bem diferente do que representa para o espiritismo e até para o catolicismo romano.

 

Falando-se em inconsistência de argumentos e falsas “provas” da reencarnação, retomemos rapidamente o fato já discutido de que os sábios hindus receberam de suas “divindades” o ensino de que a reencarnação é uma escravidão da alma, chamada “roda do karma”, e que somente pela aniquilação do eu e dos sentidos via meditação é possível ao homem livrar-se desse terrível castigo. Foi-lhes ensinado também que se pode reencarnar na forma de homem, animal, vegetal e, até, mineral, e que não existe um Deus pessoal, mas uma “energia imaterial e impensante”. Mas Kardec diz ter recebido, dos seus “espíritos”, ensinamentos de que a reencarnação na verdade é uma dádiva, que o homem só reencarna como homem, e nunca, por exemplo, como uma vaca, e que o Deus pessoal do Cristianismo existe, inclusive controlando a reencarnação.

 

Sem maiores prolongamentos na análise, vale perguntar: quem mentiu, as “divindades” hindus ou os “espíritos” do espiritismo francês? E por que mentiriam?

 

Pensando melhor:

 

1)  se as “divindades” que mentiram aos sacerdotes hindus são as mesmas que eles afirmam haverem lhes ensinado também a “reencarnação” (supondo que os sacerdotes realmente receberam essa informação, o que parece não ter acontecido, já que a lei do karma foi uma invenção política);

 

2)  e se os “espíritos” que mentiram a Kardec (supondo-se que ele tenha realmente falado com tais “entidades”, o que muitos duvidam que tenha acontecido, entre eles o vencido movimento espírita inglês) são exatamente os mesmos que supostamente ensinaram a “reencarnação” para ele e outros médiuns;

 

então, por que alguém deve confiar e crer nestes “espíritos”, no que disseram sobre reencarnação (que aqui comprovamos ser uma fraude) e, portanto, em outros ensinamentos atribuídos a essas mesmas “entidades”?

 

A reflexão e o posicionamento crítico ainda é, mesmo no campo religioso, um meio relativamente seguro que nos auxilia a enxergar com mais clareza em meio à manipulação das informações e à tendência das pessoas em dar ouvidos ao que mais lhes convêm, mesmo em detrimento da Verdade.

 

E, falando em Verdade, fica uma máxima que deve servir de referência a todo pensamento humano, especialmente na área religiosa e espiritual:

 

 

“NUNCA CONFUNDIR PROCURA DA VERDADE

COM NECESSIDADE DE ACREDITAR”.

 

 

Recado final para os cristãos:

 

Amem os espíritas, pois, como todos os outros, eles são pessoas dignas do amor incondicional que Jesus nos ensina. Ame-os, como Ele nos ama. Respeite-os, e à crença deles. Mas lembre-se: amar e respeitar não é o mesmo que concordar.

 

Deus ama o pecador, a tal ponto que nos conduz, pelo caminho que for necessário, à oportunidade de compreendermos o engodo em que estamos metidos. Como disse Paulo, “ai de mim se não pregar o evangelho”. E, se os apóstolos e o próprio Jesus, com toda a sabedoria e o amor de Deus pelo próximo, para pregar o verdadeiro evangelho tiveram de confrontar duramente crenças como o farisaísmo, o gnosticismo, a filosofia grega, o politeísmo, a consulta aos mortos etc., inclusive acusando os adeptos mais teimosos de “servos de Satanás”, também o cristão genuíno de hoje deve saber enfrentar – se necessário firmemente, mas com amor no coração – as doutrinas e filosofias que, às claras ou disfarçadamente, arrastam multidões para longe da Verdade de Cristo (e às vezes usando o nome dEle), de forma sorrateira.

 

Por isso, precisamos amar profundamente os espíritas, e nos deixarmos ser usados por Deus para ajudá-los a encontrar a Verdade. Não uma verdade que criamos a partir de nossa própria opinião e conveniência, mas a Verdade imutável que existe independente das pessoas, e que, misericordiosamente, encontra-se acessível e é repassada de graça para qualquer pessoa. Somos apenas servos uns dos outros, entregues nas mãos de Deus para compartilhar o que Ele revelou no evangelho – nossa opinião não interessa.

 

Preguem o evangelho de Cristo, irmãos. E orem, para que o espiritismo um dia seja publicamente desmascarado, assim como outras religiões que afastam multidões do Caminho único: Jesus.

 

 

 

Um breve testemunho

 

Ricardo Marques iniciou-se desde a adolescência no espiritismo kardecista, como “médium” de efeitos físicos. Leu a obra completa de Allan Kardec, assim como o que existe de mais importante no espiritismo ocidental, inclusive o que se relaciona a Chico Xavier e outros “médiuns” brasileiros famosos. Anos depois, passou a estudar também os escritos da “médium” Helena Blavatsky e de outros autores considerados esotéricos, interessando-se também, a partir daí, pela Filosofia Oriental.

 

Embora se mantendo fiel ao kardecismo, transitou pela magia e pelo esoterismo. Tornou-se mago, através do Colégio dos Magos, do qual era membro; foi rosacruz, através da AMORC, e diplomou-se em Parapsicologia pelo INPAR. Fundou e coordenou o grupo Alpha-7 de Desenvolvimento Mental, em Fortaleza, assim como a Associação Brasileira para a Era de Aquário, uma das pioneiras do movimento Nova Era no Brasil, e participou da organização de vários eventos ligados a espiritismo e misticismo. 

 

Ricardo mantinha contatos “mediúnicos” rotineiramente, o que era testemunhado por muitos de seus amigos, alguns dos quais convivem com ele até hoje. Manifestava fenômenos como telepatia, telecinesia, praticava a projeção astral (na época chamada “desdobramento”), leitura da aura etc. Recebia “orientações” de entidades do mundo espiritual, que se identificavam como “espíritos de luz” e “mestres da sabedoria”.  A reencarnação era uma de suas principais convicções, à qual se manteve apegado até o último instante.

 

Confrontado com a Bíblia por amigos que haviam se tornado cristãos, resistiu veementemente à tentativa de evangelismo, defendendo o espiritismo e a reencarnação com os conhecimentos e as experiências que havia adquirido na prática daquela filosofia. Porém, foi chegando o tempo em que a busca sincera pela verdade, diante de Deus, lhe permitiu detectar incoerências em suas próprias experiências místicas e nos ensinos dos “mestres” que até então vinha recebendo.

 

O testemunho de muitos ex-médiuns, ex-espíritas e ex-esotéricos, a exemplo do brasileiro Heber Soares, sucessor de Zé Arigó, cuja autobiografia está relatada em “Nos Bastidores dos Espíritos”; a norte-americana Johanna Michaelsen, que fazia cirurgias mediúnicas e é autora de “A Bela Face do Mal” e “Como Cordeiros para o Matadouro”; o ex-guru indiano Rabi Maharaj, que conta sua história em “A Morte de um Guru”, e tantos outros, revelaram a Ricardo que as contradições que ele estava detectando não eram “coisas de sua cabeça”, mas parte de uma verdade espiritual bem distinta da que ele conhecia, e que julgava ser a certa.

 

Esses ex-médiuns, que o autor conheceu através de livros, reportagens e palestras, e que denunciavam o “belo” espiritismo como um engodo sedutor e quase perfeito, e o fato destes mesmos ex-médiuns dizerem que encontraram a Verdade definitiva no Cristianismo Bíblico, foi reforçando em Ricardo uma desconfiança a respeito da doutrina espírita e da “sabedoria” esotérica. Passando a estudar a Bíblia, gradativamente foi descobrindo que havia sido enganado por quase todos os autores místicos que até então vinha estudando.

 

A Bíblia promete que, ao se buscar o Caminho com sinceridade de propósitos e sem preconceitos, o Espírito Santo de Deus revela a Verdade ao coração do buscador, levando-o à conversão genuína e à redenção pela graça, através de Jesus Cristo. Trata-se de uma experiência pessoal, intransferível, que não envolve merecimentos (por isso Jesus referia-se como “a graça de Deus”) nem pode ser mediada por nenhuma igreja ou sociedade religiosa, nem por nenhuma pessoa, viva ou morta, santa ou não, religiosa ou não. É assunto exclusivo entre a pessoa tocada, e o próprio Deus feito homem, Jesus: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai, se não for por Mim” (Jesus, em João 14:6); “Há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo” (Paulo, em Atos 14:6); etc.

 

Foi o que aconteceu com Ricardo: inicialmente sofrendo um processo de “convencimento” intelectual, diante dos fatos com que se deparou, e finalmente compreendendo as incoerências e contradições do espiritismo e da doutrina cármica, acabou voltando-se para o lado oposto de tudo aquilo que, bem intencionado, havia aprendido e ensinado. Assim, Ricardo foi levado a converter-se genuinamente a Jesus Cristo (a quem imaginava “seguir” através do espiritismo) e assim encontrar a Verdade Absoluta. Hoje é um cristão convicto, havendo renunciado às crenças e práticas espiritualistas, como tantos outros que se empenham atualmente em esclarecer espíritas bem-intencionados sobre o engano em que estão envolvidos.

 

Ricardo Marques é biólogo, paleontólogo e educador, com aperfeiçoamento em Ciências do Comportamento e mestre em Ciência; além de professor universitário, criou e lecionou disciplinas em seminários teológicos, como Lógica e Crítica da Religião (Seminário Teológico Batista do Ceará), mas sempre admitiu que conhecimentos e títulos são, como diz o autor de Eclesiastes, “vaidade” e “correr atrás do vento”, sem qualquer serventia em se tratando do entendimento da realidade, especialmente da realidade espiritual. Nessa área o que conta é a humildade e o despir-se da vaidade e dos preconceitos; é, como disse Jesus, “negar-se a si mesmo”, tirando a nós mesmos, e ao Homem, do centro das atenções, substituindo-nos pelo Deus único, perfeito e infinito. Usando nosso livre-arbítrio dessa maneira, o verdadeiro Jesus recebe “sinal verde” para revelar-se a nós. Você crê nisso?

 

Ricardo é casado com Ana Carmem, pai de dois filhos, não é rico materialmente, mas é muito, muito feliz.


[1] O autor é ex-médium kardecista, havendo se envolvido, também, com magia e esoterismo, tendo sido membro do Colégio dos Magos e da Ordem Rosacruz. Como tal, teve na reencarnação uma crença marcante ao longo de boa parte de sua vida. Conheça mais sobre Ricardo Marques lendo um resumo de seu testemunho, no final deste artigo.

[2] Arthur Conan Doyle, famoso escritor inglês e genial criador do personagem de romances policiais, o detetive Sherlock Holmes.

[3] No Antigo Testamento, em Deuteronômio 18, vs. de 1 a 12, Moisés recebe revelação de Deus e a transmite ao povo, dizendo aos hebreus para que não praticassem as mesmas coisas dos povos pagãos com que entrariam em contato na Terra Prometida. E avisou: “Não haverá entre ti (…) quem consulte os mortos, pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor”. Curioso o fato de que Moisés é tido, por várias correntes espíritas e por vários mestres kardecistas, como tendo sido um “grande médium”. Se era, como teria dado tal instrução ao povo? Mas se acham que o Antigo Testamento é que não merece crédito, como podem acreditar que Moisés sequer tenha existido?

[4] O livro “A Vida no Planeta Marte” foi escrito em 1957. Trata-se de uma “revelação” por parte do famoso “espírito” Ramatis, através do médium brasileiro Hercílio Maes, onde a entidade conta, em detalhes, como seria a vida no planeta Marte. Florestas, cidades, avenidas, ausência de guerras. Na Terra, nessa época, a exploração espacial apenas engatinhava, e muita gente – até alguns cientistas – acreditava na possibilidade de vida em Marte. Com o passar dos anos descobriu-se que não há nada disso no “planeta vermelho”; pelo contrário, trata-se de imenso deserto, arenoso e pedregoso, com extremos climáticos insuportáveis. Desde então, nenhum espírita veio a público reconhecer a mentira; e fica a pergunta: se o tal Ramatís mentiu nesse caso, quem nos garante que ele, e os demais “espíritos superiores”, não mentem sobre outras coisas em quem milhares de pessoas depositam toda a sua confiança, tomando decisões espirituais que podem fazer grande diferença na eternidade? O mais curioso é que o livro continua parte da lista de “boa literatura” espírita…

[5] Paulo, em sua 2ª carta a Timóteo, cap. 4, vs. 3 a 5, alerta: “Porque haverá um tempo virá tempo em que as pessoas não suportarão ouvir a doutrina de Jesus; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, como se sentindo coceiras nos ouvidos, se cercarão de mestres segundo suas próprias conveniências, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas preferirão crer em fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”.

[6] O significado de engodo é “isca”, ou seja, “algo belíssimo e atraente, que serve para disfarçar uma armadilha que nos prende”.